Trauma não é o que acontece!
Trauma não é o que acontece: é o impacto negativo que aquilo que aconteceu deixou em ti.
É reviver o que aconteceu no passado, como se ainda estivesse a acontecer.
É sentires que és refém do que (te) aconteceu.
“O que aconteceu” refere-se ao evento em si. Pode ser um acidente, perda de um ente querido, uma situação abusiva, situação de profundo desamparo, momentos de invalidação emocional.
Pode inclusive reportar-se a algo “que não aconteceu mas idealmente devia ter acontecido”: uma conquista que não se alcançou, uma desilusão ou defraude de expectativas e confiança. .
E quando falamos “do impacto daquilo que aconteceu”, referimo-nos a resposta única e individual ao evento em si. Duas pessoas podem vivenciar o mesmo evento e ter duas respostas emocionais distintas, lidar com as consequências de uma forma totalmente diferente. Aliás, até uma mesma pessoa, num momento diferente da sua vida, pode deparar-se com essa diferença.
Perante um evento negativo, todos desenvolvemos mecanismos de ajustamento. O famoso “eu estou a lidar!” que talvez te soe familiar.
Estes mecanismos podem ser adaptativos e saudáveis, como desenvolver competências, procurar suporte emocional, promover hábitos de autocuidado, autocompaixão e respeito pessoal ou procurar apoio profissional.
Mas também podem ser desajustados e até prejudiciais e, nesse caso, dás por ti a afastar-te dos teus objetivos. Vemos exemplos claros desses comportamentos quando começas a isolar-te e a activar mecanismos de evitamento. Uma forma de te protegeres daquilo que temes, numa tentativa de evitarmos algo que o teu cérebro reconhece como aversivo ou ameaçador. No limite, poderão surgir sintomas persistentes ligados à ansiedade e depressão, ou até mesmo, o desenvolvimento de adições e dependências.
Aqui, na Ressignificar, tentamos ajudar-te a promover os mecanismos que de alguma forma são adaptativos e te permitem viver melhor com o impacto negativo que aquilo que aconteceu deixou em ti e limitar o impacto que mecanismos desajustados podem ter na tua vida.
Durante este processo, Ressignificar passa por trabalhar o impacto que estas vivências e memórias anteriores desencadearam no teu cérebro, procurando reduzir o peso das mesmas.
E como consequência? Deixares de te veres condicionado a respostas, padrões de comportamento e decisões que não representam a pessoa que és. Pelo contrário, uma maior capacidade para viver, de forma livre e consistente contigo mesmo.
De facto, o que aconteceu, aconteceu. O que não aconteceu, também pode doer. Essa realidade não pode ser alterada. Podes sim acomodar essa experiência de uma forma mais saudável, relacionando-te melhor com ela. E abrindo caminho para um presente e futuro no qual essa vivência pesada não dite mais a tua felicidade.
Este artigo baseia-se numa partilha que fiz originalmente na página de Instagram da Ressignificar.
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