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Será que a criança que fui tem impacto na pessoa que hoje sou?


É relativamente frequente darmos por nós a dizer coisas como “eu sou assim” mas nem sempre paramos para pensar no quanto a nossa infância molda quem nos tornamos. Parece mais intuitivo e até mais fácil aceitar que “é como é” do que procurar num passado longínquo… afinal, o que lá vai, lá vai… ou será que não é bem assim?

Será que, sem querer, os nossos pais ou outros adultos de referência passaram um legado, uma “herança” emocional e comportamental?

Na forma como fomos educados, nas realidades a que fomos expostos, ao observarmos as suas próprias ações, posturas e pensamentos… percebemos que, mesmo que involuntariamente, criaram traumas, bloqueios e condicionamentos.

Vejamos um exemplo:

Quando uma criança é criticada recorrentemente, de forma destrutiva, pelas suas ações, pode internalizar uma lição perigosa.
O que o adulto queria transmitir era “o que fez de errado” mas, muitas vezes, o que fica é que “há algo errado” com ela mesma.
Naturalmente isso não significa que os adultos devam permitir tudo sem consequências. Significa, sim, que essas consequências devem ser transmitidas de forma adequada, segura e protetora, para que a criança compreenda os limites sem internalizar culpa desproporcional.

E em consulta, muitas vezes ouvimos pensamentos como:

“Está bem, mas isso já lá vai, foi há tantos anos…”

E sim, é  verdade, passou muito tempo. Mas mesmo anos depois, essas experiências podem afetar a forma como nos vemos e como percebemos o mundo. E é bastante provável que, de algum modo, ainda o façam. Mesmo pequenas experiências podem ter um impacto da infância na vida adulta que persiste ao longo do tempo.

A infância tem um sabor agridoce. Por um lado, é um período de evolução contínua, cheio de descobertas, curiosidade e pequenas alegrias e conquistas. Por outro, podem existir momentos que deixam marcas profundas, ainda que invisíveis, que nos acompanham na vida adulta. 

Refletir sobre o impacto da infância é crucial para o nosso desenvolvimento emocional.

Muitas vezes, os adultos, mesmo agindo com as melhores intenções, podem deixar marcas involuntárias. É certo que não há pais (nem pessoas no geral!)  perfeitos, e por muito que não queiramos deixar marcas negativas nos filhos, por vezes, com a melhor das intenções ou simplesmente porque os meios faltaram, o tempo, o dinheiro, a capacidade, o conhecimento, a fase de vida em que se encontravam, simplesmente impediram ou obrigaram a que algo fosse feito. E por muito que tenha sido sem intenção… a marca que deixaram permaneceu.

E portanto, reconhecer isso é um primeiro passo fundamental para entender e lidar com essas experiências. Compreender que todos temos a nossa história e que a personalidade é moldada por múltiplos fatores ajuda a desenvolver (auto)compaixão. 

Este é o alicerce para superar traumas ou impactos negativos que ainda persistem, permitindo-nos continuar a desenvolver-nos de forma mais saudável e consciente.

 Sim, desenvolvimento pessoal é contínuo!

Ter apenas em conta que compreender “de onde vem” determinado comportamento, pensamento, crença ou bloqueio nem sempre é suficiente para a transformar. É um primeiro contacto com o tema, sim, mas fica a faltar o processamento adaptativo dessa informação, o desenvolvimento de novas formas de “funcionamento” e o treino de competências que o permitam.

E esse trabalho é perfeitamente válido e possível num processo de acompanhamento psicológico.

Se este texto fizer sentido para ti, permite-me dizer-te que vais sempre a tempo de querer fazer algo a repeito daquilo que “já ficou lá tão atrás no tempo”.

Além disso, poderás querer partilhar com alguém que também sente que a infância não deixou apenas boas memórias. Compreender o impacto da infância na vida adulta é essencial para o desenvolvimento emocional.

Desconstruir este tema é muito necessário e refletir juntos sobre o passado pode ser o início de um reposicionamento no presente e do cuidado que precisas com o teu futuro. 
Pensa nisso, com atenção e respeito… por ti, adulto que me lês, mas também por ti, criança que vive dentro dele e sabe tudo o que sentiu no caminho até aqui. 



Este artigo baseia-se numa partilha que fiz originalmente na página de Instagram da Ressignificar.
Se te suscitou curiosidade, podes sempre dar-lhe uma vista de olhos abaixo.

Qualquer comentário, dúvida ou partilha, estou sempre por aqui.

Obrigada pela tua presença.

Será que a criança que fui tem impacto na pessoa que hoje sou?

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