Autoconfiança – Sobre confiar em ti (mesmo quando isso parece impossível)
Muito se fala sobre ser confiante e é inegável que confiarmos em nós próprios, na nossa capacidade de avaliação situacional e tomada de decisão. Mas a verdade é que autoconfiança não surge de um dia para o outro. Não é um “ou tens ou não tens”. É mais semelhante a um músculo que se vai trabalhando e treinando aos poucos — com prática, paciência e, acima de tudo, autocompaixão. Mas eu sei… às vezes, parece quase impossível confiar quando a vida já te mostrou demasiadas vezes que talvez não devias, não era seguro. Quando confiaste e, na sequência disso, foste alvo de críticas que doeram, acabaste por estabelecer comparações e sentiste que não estavas à altura, ou quando te lembraram os teus erros mais do que celebraram as tuas vitórias. Como confiar em mim se a consequência de falhar é tão pesada?
E é aí que entra o trabalho mais profundo — o de começares por te conhecer melhor. Não da forma superficial de responder a um teste de personalidade rápido, mas de te observares mesmo com objetivo máximo de perceber padrões e alterar o que efetivamente não te protege. Então pondera: O que te move? O que te trava? Como é que reages quando te sentes inseguro? E como seria se, em vez de te julgares, te ouvisses com curiosidade?
Não precisas de transformar a tua vida inteira num mês e, honestamente, não é bom que tenhas essa expectativa porque de facto é irrealista.
Começa por escolher uma ação pequena, realista, que possas fazer por ti esta semana. Algo que te desafie mas que não te assuste — ler uma página por dia, levantar-te 10 minutos mais cedo, dizer “não” quando queres e precisas de o fazer. Coisas assim, mundanas, aparentemente banais. Pequenas ações que se vão somando até te começares a sentir mais inteiro.
E sim, claro vais falhar pelo caminho.Todos falhamos. O problema é que crescemos muitas vezes a acreditar que falhar é sinónimo de não sermos bons o suficiente. E então, sem percebermos, começamos a fugir da falha como se isso nos definisse. Mas a verdade é que é ali — no erro, na tentativa, na dificuldade — que também se aprende. Quando algo não corre bem, experimenta perguntar-te: “O que é que estava ao meu alcance fazer de forma diferente?” E depois, sê gentil contigo. “Fizeste o melhor que soubeste e que te foi possível, com aquilo que tinhas naquele momento.”
Investires em ti é outro passo importante. Não falo apenas em fazer formações ou começar um novo hobby — falo de te permitires crescer, sobretudo naquilo que te acrescenta.. De leres algo que te inspira. De aprenderes algo novo só porque te faz bem. De te vestires de forma a sentires que estás no teu corpo com mais presença. Porque sim, até a maneira forma como caminhas, a tua postura corporal ou a forma como olhas alguém nos olhos pode influenciar a forma como te vês e aquilo que acreditas a teu respeito.
E não esqueças: as pessoas com quem te rodeias também contam. Cultiva relações que te façam sentir visto, ouvido, valorizado, acolhido. Nem sempre temos tempo para encontros longos, mas até um telefonema, uma videochamada, um café rápido, podem fazer a diferença.
Por fim, aprende a escutar a crítica sem te perderes e esgotares nela. Há críticas que ajudam efetivamente e há outras que só magoam — cabe-te a ti aprender a distinguir. Mas em ambas, há sempre algo que podes retirar, se quiseres. E mesmo que haja algo a melhorar, isso não apaga o esforço que fizeste até ali, o processo, a aprendizagem.
A autoconfiança também é construida!
A autoconfiança constrói-se, sim. Às vezes, tijolo a tijolo. E por vezes, desaba e tem de ser erguida de novo. Mas está sempre dentro de ti — mesmo quando duvidas, mesmo quando tudo parece frágil. Confia: és capaz de te reencontrar.
E um contexto terapêutico poderá ser um espaço seguro para começares ou aprofundares esse caminho.
O que representa ser confiante, para ti?
Será mais confiante quem acredita que “tudo vai correr bem” ou quem sabe que, mesmo que algo se acabe por se desformatar ou fuja do controlo, tem o que precisa para se reorganizar?
Diria que a genuina confiança não surge da tentativa de acreditar que “não vai chover”, mas sim da convicção profunda de que, caso chegue a chuva, eu tenho acesso ao meu “guarda-chuva”, as minhas estratégias, os meus recursos. Sentes que conheces os teus?