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Não estou bem. Mas não é nada… é tudo.

Há dias (ou semanas… ou meses) em que parece que carregas um peso que mais ninguém vê. 

Estás lá — no trabalho, com a família, até nas redes sociais — mas sentes-te longe. 

Quase como se estivesses a viver a tua vida de fora, sem grande entusiasmo, só a cumprir o que “tem de ser”. E talvez até tenhas pensado: “Isto é só cansaço, estou a precisar de férias”, “Se calhar é da falta de sol” ou até mesmo algo como “Há tanta gente pior…”.

Mas a verdade é que, por dentro, alguma coisa não está bem. Não consegues explicar bem o que é, mas sentes que algo se foi apagando.

Começas a perder o interesse nas coisas que antes te faziam bem.

Já não ris como antes. Dormes mal. Ou demais. E aquele pensamento de “não estou bem, mas também não é assim tão grave, não se justifica procurar ajuda” vai-se instalando — quase como se fosses aguentando porque é isso que se espera de ti.

Isto, muitas vezes, é o que chamamos de humor depressivo. Não é sempre uma tristeza intensa e óbvia. Às vezes é só um vazio surdo. Um desânimo constante. Uma irritação que vem do nada. Uma vontade de te isolar, sem perceberes bem porquê. E o pior: uma voz interna que te diz que és fraco ou menos capaz por sentires isto. Afinal, “devias estar grato”, dar-te por feliz. E assim, em silêncio, vais-te afastando de ti.

Podes estar a viver uma depressão e, ainda assim, não estar constantemente a chorar. É importante que isto seja desmistificado porque muitas vezes perpetuamos mal-estar emocional por normalizarmos realidades que deviam ser questionadas.

Sentires-te assim não te torna menos forte. Nem menos capaz. Nem menos merecedor de cuidado.

Então deixa-me dizer-te uma coisa, com toda a clareza: sentires-te assim não te torna menos forte. Nem menos capaz. Nem menos merecedor de cuidado. Apenas humano. E talvez cansado de tentar ser sempre “funcional”, mesmo quando tudo em ti pede pausa, escuta, colo.

Passar por um processo terapêutico não apaga a dor de um dia para o outro. Mas pode ser o lugar onde começas a compreendê-la, a processá-la. Um espaço onde deixas de te julgar tanto e passas a perceber o que é teu… e o que carregas que nunca foi! Onde podes ser simplesmente quem és — com falhas, dúvidas, silêncios e medos. Sem pressão. Sem máscara.

Há sempre caminho, mesmo quando parece que não.

Ninguém está “irremediavelmente perdido ou danificado”. E pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É, na verdade, um dos gestos mais corajosos que podes fazer por ti. Começa devagar. Uma conversa. Um espaço seguro. 

Tu mereces sentir-te bem… Mesmo que hoje ainda não vejas isso possível.

Não estou bem. Mas não é nada… é tudo.

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