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Pavor a análises clinicas? Eu tinha. Já não tenho.

Esta partilha nasce da minha experiência pessoal com o medo de tirar sangue e Terapia EMDR, um percurso que transformou profundamente a forma como o meu corpo reage a análises clínicas e ao toque.

Pensa em tocar tocar no interior do teu braço. Mesmo no interior do cotovelo… Sim, naquela zona interior da articulação, onde alguns de nós notamos umas veias mais grossas, outros mais finas… outros nenhuma. Alguns sentem cócegas, alguns não sentem nada de mais. 

Parece um movimento banal, sem qualquer tipo de dificuldade. Mas houve um momento da minha vida em que fazê-lo era tudo menos fácil.

Mas houve um momento da minha vida em que para mim fazê-lo, fosse em que contexto fosse, era tudo menos fácil. Não tolerava tocar, ser tocada, mesmo que de forma espontânea e não intencional, como por exemplo durante um abraço. Até a ideia de tocar nessa zona do meu corpo me causava aversão.

E a história que vos vou contar mostra a importância que a Terapia EMDR teve para mudar isso na minha vida.

Vamos fazer uma viagem no tempo até Fevereiro de 2016.

Estava no 1º dia de formação, do 1º nível de Terapia EMDR e o formador pede voluntários para termos um primeiro contacto com a estimulação bilaterial proporcionada pela Terapia EMDR. “Mas atenção, estamos num contexto formativo e não terapêutico, sejam cautelosos com o nível de exposição a que se submetem!”

Disse o formador, procurando por voluntários com uma situação que lhes causasse um desconforto moderado, não excessivamente traumática, dramática ou pessoal e que, por isso, pudesse ser exposta ao grupo.

Ao ouvir aquilo, dei por mim a pensar em algo que não me saía da cabeça. Tinha tido uma consulta médica uns dias antes e tinham-me sido pedidas análises ao sangue. E essa era uma grande questão para mim naquela altura. Automaticamente veio à minha cabeça:

“Rita, tens análises para fazer, e isso é um problema!” 

Movida pela curiosidade e algum ceticismo, confesso, dei por mim a voluntariar-me expondo a minha questão ao grupo.

Quando me sentei na frente do formador, ele faz algumas questões, explora um pouco o que partilhei e então começa a fazer a estimulação bilaterial, uma sequência de movimentos de “vai-vem” com a sua mão. Eu começo a seguir com os olhos os movimentos da mão dele e percebo que o meu corpo se começa a contrair de uma forma que eu já conhecia, mas que não associava diretamente ao ato de fazer análises clínicas, ao tirar sangue. O meu corpo começa a ter uma reacção involuntária a que eu chamava “ficar colada”: rigidez nos membros, uma contracção absurda, toda eu retraída, e percebo: O meu cérebro está de alguma maneira a associar o tirar sangue a esta reacção, a esta activação. E isto causa-me imenso desconforto.

Isto era o que meu corpo associava ao tirar sangue. Depois havia as memórias que o meu cérebro guardava sobre tirar sangue. Memórias como as imensas vezes em que tentaram fazer-me a colheita e não foi possível, fui espetada várias vezes sem sucesso.

Aquelas vezes em que chamaram às minhas veias “bailarinas”, em que tive de regressar no dia seguinte para tentar novamente. Em que, bem pequena, tremia por pensar “tenho de voltar ali”. O meu conceito sobre mim e este tema era algo como: “És uma pessoa que tem e vai ter sempre problemas ao tirar sangue para análise”.

No dia a dia isto condicionava-me, não só no momento de fazer análises ao sangue, mas até no próprio toque. Um abraço. Um toque acidental no interior do braço. Alguém que se encostasse a mim. Tudo isto desencadeava no meu corpo uma resposta involuntária que me era desconfortável.

Naquele contexto formativo, em pouco mais de meia hora, não foi possível para mim ressignificar completamente aquilo que era para mim o acto de tirar sangue. Mas, ao fim de tão pouco, já era capaz de tocar no meu próprio braço. Lembro-me de chegar a casa, após aquele fim-de-semana intensivo de formação e mostrar orgulhosamente “olhem para mim a mexer no meu braço!”. Ainda hoje mantenho essa facilidade. A minha reação involuntária de “ficar colada”  não voltou, pelo menos não para essa zona do meu corpo e associada a esse tema.

Saí de lá com a convicção de que devia trabalhar esta situação através da Terapia EMDR, que foi algo que fiz posteriormente.

Hoje, se me perguntarem se gosto de ir tirar sangue… Não gosto. 

Não o faço com gosto, nem super-descontraída. Mas faço-o!

Consigo fazê-lo com alguma naturalidade. Deixei de perder o sono ou o apetite nos dias antes de uma ida às análises. Fazer análises passou do lado “é um problema”, para o lado “é funcional, é necessário, e tu consegues fazê-lo!”… Excepto quando o laboratório deixa estragar a amostra e tenho de repetir a colheita. Mas isso é outro assunto e leva-nos a outra história para outro momento.

Partilhar esta história pessoal representa muito para mim: é simultaneamente um ato de celebração e reconhecimento pessoal mas também uma tentativa de fazer chegar mais longe um resultado real, partilhado na primeira pessoa, de uma conquista importante alcançada com a Terapia EMDR. Quando falo de “uma vida mais leve e livre”, é precisamente a desbloqueios como este que me reporto. E saber que foi possível para mim leva-me a um nível de confiança e motivação ainda mais consolidado, na abordagem, nos seus resultados e na forma como a vida pode melhorar em função deles. 

Quando falamos de medo de tirar sangue e Terapia EMDR, falamos muitas vezes de respostas involuntárias do corpo que não são racionais, mas sim memórias que ficaram registadas no sistema nervoso.

No teu caso, podes não ter questão alguma com análises clínicas. Mas talvez reconheças em ti outros desconfortos, medos, bloqueios e resistências. Uns mais mapeados e identificados, outros menos conscientes e involuntários.Uns mais lembrados e marcados na tua memória, outros guardados no teu corpo e trazidos ao de cima pelos mais diversos gatilhos. De qualquer das formas, mereces, precisas tens muito a beneficiar de uma vida onde eles não te condicionem nem te dominem. 

Se não tivesse ultrapassado essa resistência… 
Eu já teria perdido muitos abraços por esta altura! 

Já teria sofrido horrores com a antecipação e concretização das muitas análises que fiz entretanto. E sabem o que mais me marca no fim disto tudo? A forma como me vi capaz. É algo que marca profundamente o nosso autoconceito e a relação connosco próprios.

Se te revês nesta história de medo de tirar sangue e Terapia EMDR, talvez seja importante saberes que é possível viver de forma mais leve, funcional e livre de bloqueios que não escolheste.

Vale muito a pena. Tu vales a pena.

Este artigo baseia-se numa partilha que fiz originalmente no instagram da Ressignificar.
Se te suscitou curiosidade, podes sempre dar-lhe uma vista de olhos abaixo.

Qualquer comentário, dúvida ou partilha, estou sempre por aqui.

Obrigada pela tua presença.

Pavor a análises clinicas? Eu tinha. Já não tenho.

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