Ressignificar

+351 917 658 631 | info@ressignificar.com

Acompanha o nosso trabalho nas redes sociais

Vou mudar a forma como pensas de quem procura terapia

Vou mudar a forma como pensas de quem procura terapia Anos a fio, a ideia de trauma vinha acompanhada de um acontecimento (ou vários!) de um carácter aterrador, negro, marcante. A vivência de uma guerra, um abuso físico, um acidente, uma perda irreparável. Felizmente, muito mudou desde esses tempos, e hoje aceitamos que para além de pessoas que vivenciaram este género de situações, também outras, que sofreram de uma forma mais continuada na vida, podem sofrer com o trauma. Aceitamos hoje que a pessoa que procura libertar-se do trauma não é apenas aquela que está numa situação disfuncional e num momento frágil da sua vida. Não é apenas a pessoa que está num sofrimento limite e a chegar a um ponto de rutura. Não só para quem sofre diariamente com a sua saúde mental. Pessoas de alto desempenho, com altos padrões de exigência sobre si próprio, porém com padrões de comportamento enraizados que os limitam na hora de concretizar os seus objetivos. É o adulto ativo e funcional, que sente que restringe o seu próprio potencial, que se sente bloqueado ou condicionado. É a pessoa que tem trabalho, mas que se sente insegura e não realizada. Que todos os dias faz mil coisas, mas nada soa suficiente. Que dá tudo de si, mas fica com um travo agridoce. É uma pessoa… real. Provavelmente que estarás a ler isto numa pausa breve entre trabalho ou correria dos afazeres diários. Quiçá, na sua cama antes de fechar mais um dia e preparar-se para novas batalhas amanhã de manhã.Desde o professor universitário ao empreendedor, do contabilista ao artista, até ao próprio psicólogo. Da jovem estudante à mãe de três.

Um Lembrete de Como Ver o Trauma

Um Lembrete de Como Ver o Trauma Antes de te falar da Terapia EMDR e de reprocessamento de trauma, talvez tenhamos que desmistificar esta ideia. “Traumas? Eu não tenho traumas. Pronto, aconteceram umas coisas menos boas no passado, mas quem nunca, não é? Também não exageremos, não é caso para tanto” . Ou será? Quando ouvimos falar de experiências traumáticas muito facilmente o nosso cérebro gera alguma resistência de forma automática. Associamos, espontaneamente, trauma a algo catastrófico, inegavelmente grave. Algo de tal forma danoso que não se relaciona com as nossas existências, porque afinal, “por mais que tenha vivido episódios difíceis, estou aqui, não foi nada de mais!”. Esquecemos, no entanto, que todas as nossas experiências prévias, especialmente as mais precoces, têm um impacto considerável na forma como nos organizamos internamente. E, como tal, eventos que temos como menores, irrelevantes e até mesmo banais, podem encontrar-se a desempenhar uma influência significativa na pessoa que somos hoje. Tudo aquilo que (nos) acontece repercute-se emocionalmente, gera um impacto e faz-nos construir, para além de memórias, crenças sobre nós próprios, sobre os outros e sobre o mundo em geral. É através desse sistema de crenças que passamos a fazer a leitura e interpretação do nosso meio, dos acontecimentos do nosso dia-a-dia, e de nós próprios. Centremo-nos, por agora, nas crenças que nutrimos sobre nós próprios. Quando falo de crenças neste contexto, refiro-me a pensamentos, ideias ou convicções profundamente enraizadas que mantemos a nosso próprio respeito e que estão na base do nosso autoconceito. Essas crenças podem ter uma conotação positiva ou negativa e, uma vez que constituem o modo como nos vemos, percebemos e o que pensamos sobre nós próprios, acabam por moldar a interpretação de todas as nossas experiências. Na Terapia EMDR (sigla para ‘Eye Movement Desensitization and Reprocessing’), as crenças desempenham um papel fundamental e é evidência de como elas se relacionam a eventos traumáticos passados. Reconhecemos, portanto, que traumas vivenciados no passado repercutem-se no presente através do impacto das crenças negativas e disfuncionais que dele derivam. Estas crenças podem ser extremamente prejudiciais e limitantes, com impacto negativo ao nível da autoestima, autoconfiança, funcionamento emocional e comportamento. Mesmo quando não há uma memória concreta sobre o evento traumático, muitas vezes o impacto negativo do mesmo prevalece. Isto acontece porque a intensidade emocional do evento foi de tal forma significativa que gerou uma alteração do funcionamento cerebral, havendo dificuldade em processar a informação e o conteúdo experienciado naquele momento. E é aqui que começam a formar-se bloqueios emocionais, que alteram os nossos padrões de comportamento e pensamento, tornando-nos disfuncionais e afastando-nos da pessoa que queremos e precisamos de ser. Estes bloqueios, por sua vez, uma vez gerados, são sucessivamente estimulados e reforçados por acontecimentos identificados pelo nosso cérebro como semelhantes, àquilo que frequentemente designamos como gatilhos (triggers). E neste ponto torna-se inegável que o evento passado se encontra a condicionar e a afetar o bem-estar emocional e a qualidade de vida de quem o vivenciou. De forma concreta, por exemplo, alguém que experimentou um evento traumático na infância, como a falta de suporte e validação emocional, frequentemente desenvolve crenças negativas sobre si, como “Eu não sou válido” ou “Eu não sou suficiente“.  Conseguimos facilmente imaginar como alguém que nutre estes pensamentos sobre si próprio irá condicionar o seu comportamento, a sua tomada de decisão e até mesmo a sua liberdade de escolha. Em poucas palavras: tornamo-nos o resultado do que (nos) aconteceu e não quem desejamos, em consciência, ser. Não tem de permanecer desta forma a partir do momento em que percebemos que o condicionamento que experienciamos se encontra a prejudicar a nossa saúde mental e emocional. À luz da Terapia EMDR, que se propõe a trabalhar o indivíduo de modo que este seja capaz de identificar as crenças negativas que nutre sobre si mesmo, é possível reavaliar e reestruturar as mesmas, substituindo-as por outras mais adaptativas, saudáveis e empoderadoras, que conduzam ao desenvolvimento pessoal contínuo e à expansão de todo o nosso potencial. Partindo do exemplo anterior, no caso de alguém que desenvolveu e apresenta a crença negativa “Eu não sou suficiente” tem oportunidade de, com recurso à Terapia EMDR, reconstruir essa crença, substituindo-a por uma mais positiva, como, por exemplo, “Eu sou bom como sou” ou “eu sou válido”. Percebemos então que, se queremos nutrir um autoconceito positivo e protetor, é fundamental cuidar das crenças que se geram, consolidam e sustentam-se na nossa mente. A Terapia EMDR permite rever essas crenças, olhando-as sob outra perspetiva, pelo que podemos afirmar que a experiência emocional prévia é, dessa forma, ressignificada, através da dessensibilização das crenças e memórias traumáticas e reprocessamento das mesmas. Dessa forma, os bloqueios emocionais que se faziam sentir são neutralizados e as suas consequências e repercussões limitantes deixam de se fazer notar. Alguns dos benefícios mais reportados passam pela diminuição de sintomas associados a ansiedade, depressão e dificuldades ao nível da autoestima, autoconceito e autoconfiança. É nesta medida que podemos afirmar que, muitas das vezes, a chave para uma vida plena, livre de condicionamentos e de bloqueios emocionais reside no reprocessamento de crenças negativas. Essa transformação estrutural proporciona uma sensação de empoderamento, liberdade de decisão e autonomia, essenciais para uma existência mais leve e gratificante. Por vezes, não é suficiente reconhecer a influência das experiências que vivenciamos no passado naquilo que somos. Não é suficiente saber que replico um comportamento que não me protege porque “vivi uma experiência abusiva” ou “experienciei ausência de validação e suporte emocional no passado”. Não basta saber “de onde vêm as coisas” e “porquê é que faço o que faço”. Importa reconhecer que não me faz bem perpetuar determinados comportamentos, continuando a replicar o padrão. E sobretudo, estar consciente de que, para isso, preciso de desenvolver estratégias que me permitam relacionar-me melhor comigo próprio, com o que aconteceu no meu passado, com a forma como isso molda o meu presente e como decido que não continuará a limitar futuramente! E tu podes decidir fazer diferente! Este artigo baseia-se numa partilha que fiz originalmente na

Vamos fazer uma viagem ao interior de um cérebro que viveu uma experiência traumática?

Durante uma experiência traumática, a principal prioridade do nosso cérebro é proteger-nos, manter-nos seguros, garantindo a sobrevivência. Ocorre uma descarga de cortisol e adrenalina, comumente associadas ao stress, mas que cumprem uma função importantíssima. A amígdala, que detecta perigo, é ativada, ficando por isso mais sensível e reativa. Entramos no chamado “Modo de Sobrevivência”! Mesmo depois do evento ameaçador estar contido, ela pode manter-se ativada, fazendo com que situações sem esse potencial pareçam, na verdade, perigosas.  O Hipocampo, região que organiza as memórias no tempo e no espaço, tende a ficar igualmente comprometido. Durante eventos de stress extremo, pode reduzir a sua actividade, deixando a memória traumática fragmentada, intensa e com sensação de ainda estar a acontecer, prolongando a perceção de perigo. A área responsável pelo raciocínio, tomada de decisões e controlo emocional, o chamado córtex pré-frontal, pode ficar inibido ou perder momentaneamente a regulação, dificultando a atenção, concentração, o planeamento, flexibilidade e memória. Eventualmente, quando sentes que já não existe uma ameaça, o teu cérebro acaba por regressar ao seu estado de equilíbrio. “Está tudo bem, agora!”. Mas… será que ficou tudo como antes? Nem sempre. Consegues imaginar o impacto provocado por situações com uma carga emocional tão pesada, tão incomportável, podendo ainda ser potenciada pela sua repetição ao longo do tempo? A verdade é que a exposição contínua a situações com elevado impacto emocional pode originar situações de trauma complexo.  Os eventos traumáticos afetam-nos a nível neurológico, moldando a nossa capacidade de reação, decisão, padrões de comportamento… e com isso, a nossa vida no geral! Vida familiar, profissional, situações quotidianas, as tuas relações. O impacto pode ser muito profundo e as consequências significativas.Isto porque todo este impacto pode ficar registado e armazenado no teu corpo. Falo-te de sensações físicas, imagens recorrentes, impulsos automáticos Os eventos traumáticos afetam-nos a nível neurológico, moldando a nossa capacidade de reação, decisão, padrões de comportamento… e com isso, a nossa vida no geral! Trabalhar o impacto que estas vivências memórias anteriores desencadearam no teu cérebro permite-te reduzir o peso das mesmas. E é precisamente isto que fazemos na Ressignificar recorrendo à Terapia EMDR como principal ferramenta. Encara-a como uma forma de tirar partido da imensa capacidade de neuroplasticidade de que o nosso cérebro é dotado.  Se é verdadeiro, factual e científico que toda esta viagem “de ida” acontece… vamos procurar construir o teu caminho de volta. Não te permitas ficar preso, bloqueado, condicionado ao que te magoou. Isso seria o equivalente a permitires que continue a provocar-te dano incessantemente.  Este artigo baseia-se numa partilha que fiz originalmente na página de Instagram da Ressignificar.Se te suscitou curiosidade, podes sempre dar-lhe uma vista de olhos abaixo. Qualquer comentário, dúvida ou partilha, estou sempre por aqui. Obrigada pela tua presença.

Trauma não é o que acontece!

Trauma não é o que acontece: é o impacto negativo que aquilo que aconteceu deixou em ti. É reviver o que aconteceu no passado, como se ainda estivesse a acontecer. É sentires que és refém do que (te) aconteceu. Pode inclusive reportar-se a algo “que não aconteceu mas idealmente devia ter acontecido”: uma conquista que não se alcançou, uma desilusão ou defraude de expectativas e confiança. . E quando falamos “do impacto daquilo que aconteceu”, referimo-nos a resposta única e individual ao evento em si. Duas pessoas podem vivenciar o mesmo evento e ter duas respostas emocionais distintas, lidar com as consequências de uma forma totalmente diferente. Aliás, até uma mesma pessoa, num momento diferente da sua vida, pode deparar-se com essa diferença. Estes mecanismos podem ser adaptativos e saudáveis, como desenvolver competências, procurar suporte emocional, promover hábitos de autocuidado, autocompaixão e respeito pessoal ou procurar apoio profissional. Mas também podem ser desajustados e até prejudiciais e, nesse caso, dás por ti a afastar-te dos teus objetivos. Vemos exemplos claros desses comportamentos quando começas a isolar-te e a activar mecanismos de evitamento. Uma forma de te protegeres daquilo que temes, numa tentativa de evitarmos algo que o teu cérebro reconhece como aversivo ou ameaçador. No limite, poderão surgir sintomas persistentes ligados à ansiedade e depressão, ou até mesmo, o desenvolvimento de adições e dependências. Aqui, na Ressignificar, tentamos ajudar-te a promover os mecanismos que de alguma forma são adaptativos e te permitem viver melhor com o impacto negativo que aquilo que aconteceu deixou em ti e limitar o impacto que mecanismos desajustados podem ter na tua vida. E como consequência? Deixares de te veres condicionado a respostas, padrões de comportamento e decisões que não representam a pessoa que és. Pelo contrário, uma maior capacidade para viver, de forma livre e consistente contigo mesmo.  De facto, o que aconteceu, aconteceu. O que não aconteceu, também pode doer. Essa realidade não pode ser alterada. Podes sim acomodar essa experiência de uma forma mais saudável, relacionando-te melhor com ela. E abrindo caminho para um presente e futuro no qual essa vivência pesada não dite mais a tua felicidade. Este artigo baseia-se numa partilha que fiz originalmente na página de Instagram da Ressignificar.Se te suscitou curiosidade, podes sempre dar-lhe uma vista de olhos abaixo. Qualquer comentário, dúvida ou partilha, estou sempre por aqui. Obrigada pela tua presença.

Evitar o conflito é mesmo promover a paz?

“Não gosto de conflitos.”“Prefiro levar as coisas pelas boas.”“Sou uma pessoa de paz.” Estas afirmações são comuns e, à primeira vista, parecem traduzir maturidade emocional, empatia e bom senso. Afinal, quem é que gosta de discussões, tensão ou mal-estar nas relações? Mas observa estes cenários, que talvez te soem familiares: À primeira vista, todas estas atitudes parecem promover harmonia. Na prática, muitas vezes produzem exatamente o contrário. O conflito é inevitável sempre que existem relações humanas. Pessoas diferentes têm necessidades diferentes, valores distintos, experiências únicas e formas próprias de interpretar a realidade. Onde há diversidade, há potencial para desacordo. Mas evitar o conflito não o elimina. Apenas o torna silencioso. E conflitos silenciosos tendem a crescer. Quando um problema não é falado, ele não desaparece. Normalmente transforma-se em ressentimento, afastamento emocional, perda de confiança ou desgaste progressivo das relações. 1. Relações pessoais marcadas por tensão constante Quando alguém evita falar sobre aquilo que o magoa, pode até parecer que a relação está tranquila. Mas, com o tempo, o que não é dito acumula-se. Gera-se uma “paz podre”. Pequenas frustrações tornam-se grandes mágoas.Questões pontuais transformam-se em padrões de distância emocional.E muitas relações acabam por viver num estado de frieza ou tensão latente, onde os problemas existem, mas ninguém lhes dá nome. A ausência de discussão não significa necessariamente a presença de entendimento. 2. Lideranças que confundem paz com ausência de posicionamento Um líder que evita conflitos pode acreditar que está a proteger a equipa. No entanto, equipas precisam de clareza, justiça e capacidade de decisão. Quando um líder evita posicionar-se: Curiosamente e ao contrário do que alguns lideres poderão entender, equipas saudáveis não são aquelas onde não existem conflitos. São sim aquelas onde eles podem ser discutidos de forma aberta e segura! 3. O bloqueio da própria expressão pessoal Evitar discordar pode parecer uma estratégia social segura. Contudo, a longo prazo, essa escolha pode limitar profundamente a autenticidade de uma pessoa. Quem evita o confronto por medo de conflito tende a: Expressar desacordo não é sinónimo de criar conflito. Muitas vezes é precisamente o que permite construir relações mais honestas e equilibradas. Ao bloquear a tua expressão pessoal, o conflito fica a “arder em lume” brando. E eventualmente, vai ganhar de tal forma força, que quando finalmente não consegues conter mais, acaba por explodir de uma forma que não vai beneficiar ninguém, nem vai permitir qualquer tipo de solução construtiva. Existe uma diferença importante entre evitar conflitos destrutivos e evitar qualquer forma de discordância. A verdadeira paz nas relações não nasce da ausência de confronto, mas da capacidade de o gerir com respeito, escuta e intenção construtiva. Conflitos bem geridos podem: Ignorar conflitos pode gerar tranquilidade momentânea, mas que é insustentável. Enfrentá-los com maturidade tende a gerar relações mais sólidas e duradouras. Então, devemos procurar o conflito? Não. Mas também não devemos fugir dele automaticamente. Talvez a questão mais útil não seja “Como evitar conflitos?”, mas sim: Um convite à reflexão Muitas pessoas cresceram a associar conflito a algo negativo, perigoso ou destrutivo. No entanto, grande parte do crescimento pessoal e relacional acontece precisamente quando somos capazes de enfrentar conversas difíceis. Evitar o conflito pode parecer o caminho mais fácil no curto prazo.Mas, frequentemente, é o caminho mais dispendioso no longo prazo. Talvez a verdadeira paz não esteja em evitar conflitos, mas em desenvolver a coragem e a competência para os atravessar. E tu, como costumas lidar com o conflito? Evitas, enfrentas ou procuras compreendê-lo? Este artigo baseia-se numa partilha que fiz originalmente na página de Instagram da Ressignificar.Se te suscitou curiosidade, podes sempre dar-lhe uma vista de olhos abaixo. Qualquer comentário, dúvida ou partilha, estou sempre por aqui. Obrigada pela tua presença.

Será que a criança que fui tem impacto na pessoa que hoje sou?

“Está bem, mas isso já lá vai, foi há tantos anos…” E sim, é  verdade, passou muito tempo. Mas mesmo anos depois, essas experiências podem afetar a forma como nos vemos e como percebemos o mundo. E é bastante provável que, de algum modo, ainda o façam. Mesmo pequenas experiências podem ter um impacto da infância na vida adulta que persiste ao longo do tempo. A infância tem um sabor agridoce. Por um lado, é um período de evolução contínua, cheio de descobertas, curiosidade e pequenas alegrias e conquistas. Por outro, podem existir momentos que deixam marcas profundas, ainda que invisíveis, que nos acompanham na vida adulta. 

Pavor a análises clinicas? Eu tinha. Já não tenho.

Pavor a análises clinicas? Eu tinha. Já não tenho. Esta partilha nasce da minha experiência pessoal com o medo de tirar sangue e Terapia EMDR, um percurso que transformou profundamente a forma como o meu corpo reage a análises clínicas e ao toque. Pensa em tocar tocar no interior do teu braço. Mesmo no interior do cotovelo… Sim, naquela zona interior da articulação, onde alguns de nós notamos umas veias mais grossas, outros mais finas… outros nenhuma. Alguns sentem cócegas, alguns não sentem nada de mais.  Mas houve um momento da minha vida em que para mim fazê-lo, fosse em que contexto fosse, era tudo menos fácil. Não tolerava tocar, ser tocada, mesmo que de forma espontânea e não intencional, como por exemplo durante um abraço. Até a ideia de tocar nessa zona do meu corpo me causava aversão. E a história que vos vou contar mostra a importância que a Terapia EMDR teve para mudar isso na minha vida. Estava no 1º dia de formação, do 1º nível de Terapia EMDR e o formador pede voluntários para termos um primeiro contacto com a estimulação bilaterial proporcionada pela Terapia EMDR. “Mas atenção, estamos num contexto formativo e não terapêutico, sejam cautelosos com o nível de exposição a que se submetem!” Disse o formador, procurando por voluntários com uma situação que lhes causasse um desconforto moderado, não excessivamente traumática, dramática ou pessoal e que, por isso, pudesse ser exposta ao grupo. Ao ouvir aquilo, dei por mim a pensar em algo que não me saía da cabeça. Tinha tido uma consulta médica uns dias antes e tinham-me sido pedidas análises ao sangue. E essa era uma grande questão para mim naquela altura. Automaticamente veio à minha cabeça: Movida pela curiosidade e algum ceticismo, confesso, dei por mim a voluntariar-me expondo a minha questão ao grupo. Quando me sentei na frente do formador, ele faz algumas questões, explora um pouco o que partilhei e então começa a fazer a estimulação bilaterial, uma sequência de movimentos de “vai-vem” com a sua mão. Eu começo a seguir com os olhos os movimentos da mão dele e percebo que o meu corpo se começa a contrair de uma forma que eu já conhecia, mas que não associava diretamente ao ato de fazer análises clínicas, ao tirar sangue. O meu corpo começa a ter uma reacção involuntária a que eu chamava “ficar colada”: rigidez nos membros, uma contracção absurda, toda eu retraída, e percebo: O meu cérebro está de alguma maneira a associar o tirar sangue a esta reacção, a esta activação. E isto causa-me imenso desconforto. Aquelas vezes em que chamaram às minhas veias “bailarinas”, em que tive de regressar no dia seguinte para tentar novamente. Em que, bem pequena, tremia por pensar “tenho de voltar ali”. O meu conceito sobre mim e este tema era algo como: “És uma pessoa que tem e vai ter sempre problemas ao tirar sangue para análise”. No dia a dia isto condicionava-me, não só no momento de fazer análises ao sangue, mas até no próprio toque. Um abraço. Um toque acidental no interior do braço. Alguém que se encostasse a mim. Tudo isto desencadeava no meu corpo uma resposta involuntária que me era desconfortável. Naquele contexto formativo, em pouco mais de meia hora, não foi possível para mim ressignificar completamente aquilo que era para mim o acto de tirar sangue. Mas, ao fim de tão pouco, já era capaz de tocar no meu próprio braço. Lembro-me de chegar a casa, após aquele fim-de-semana intensivo de formação e mostrar orgulhosamente “olhem para mim a mexer no meu braço!”. Ainda hoje mantenho essa facilidade. A minha reação involuntária de “ficar colada”  não voltou, pelo menos não para essa zona do meu corpo e associada a esse tema. Saí de lá com a convicção de que devia trabalhar esta situação através da Terapia EMDR, que foi algo que fiz posteriormente. Consigo fazê-lo com alguma naturalidade. Deixei de perder o sono ou o apetite nos dias antes de uma ida às análises. Fazer análises passou do lado “é um problema”, para o lado “é funcional, é necessário, e tu consegues fazê-lo!”… Excepto quando o laboratório deixa estragar a amostra e tenho de repetir a colheita. Mas isso é outro assunto e leva-nos a outra história para outro momento. Partilhar esta história pessoal representa muito para mim: é simultaneamente um ato de celebração e reconhecimento pessoal mas também uma tentativa de fazer chegar mais longe um resultado real, partilhado na primeira pessoa, de uma conquista importante alcançada com a Terapia EMDR. Quando falo de “uma vida mais leve e livre”, é precisamente a desbloqueios como este que me reporto. E saber que foi possível para mim leva-me a um nível de confiança e motivação ainda mais consolidado, na abordagem, nos seus resultados e na forma como a vida pode melhorar em função deles.  Quando falamos de medo de tirar sangue e Terapia EMDR, falamos muitas vezes de respostas involuntárias do corpo que não são racionais, mas sim memórias que ficaram registadas no sistema nervoso. No teu caso, podes não ter questão alguma com análises clínicas. Mas talvez reconheças em ti outros desconfortos, medos, bloqueios e resistências. Uns mais mapeados e identificados, outros menos conscientes e involuntários.Uns mais lembrados e marcados na tua memória, outros guardados no teu corpo e trazidos ao de cima pelos mais diversos gatilhos. De qualquer das formas, mereces, precisas tens muito a beneficiar de uma vida onde eles não te condicionem nem te dominem.  Já teria sofrido horrores com a antecipação e concretização das muitas análises que fiz entretanto. E sabem o que mais me marca no fim disto tudo? A forma como me vi capaz. É algo que marca profundamente o nosso autoconceito e a relação connosco próprios. Se te revês nesta história de medo de tirar sangue e Terapia EMDR, talvez seja importante saberes que é possível viver de forma mais leve, funcional e livre de bloqueios que não escolheste. Vale muito a pena. Tu vales

Não estou bem. Mas não é nada… é tudo.

Não estou bem. Mas não é nada… é tudo. Há dias (ou semanas… ou meses) em que parece que carregas um peso que mais ninguém vê.  Estás lá — no trabalho, com a família, até nas redes sociais — mas sentes-te longe.  Quase como se estivesses a viver a tua vida de fora, sem grande entusiasmo, só a cumprir o que “tem de ser”. E talvez até tenhas pensado: “Isto é só cansaço, estou a precisar de férias”, “Se calhar é da falta de sol” ou até mesmo algo como “Há tanta gente pior…”. Mas a verdade é que, por dentro, alguma coisa não está bem. Não consegues explicar bem o que é, mas sentes que algo se foi apagando. Começas a perder o interesse nas coisas que antes te faziam bem. Já não ris como antes. Dormes mal. Ou demais. E aquele pensamento de “não estou bem, mas também não é assim tão grave, não se justifica procurar ajuda” vai-se instalando — quase como se fosses aguentando porque é isso que se espera de ti. Isto, muitas vezes, é o que chamamos de humor depressivo. Não é sempre uma tristeza intensa e óbvia. Às vezes é só um vazio surdo. Um desânimo constante. Uma irritação que vem do nada. Uma vontade de te isolar, sem perceberes bem porquê. E o pior: uma voz interna que te diz que és fraco ou menos capaz por sentires isto. Afinal, “devias estar grato”, dar-te por feliz. E assim, em silêncio, vais-te afastando de ti. Podes estar a viver uma depressão e, ainda assim, não estar constantemente a chorar. É importante que isto seja desmistificado porque muitas vezes perpetuamos mal-estar emocional por normalizarmos realidades que deviam ser questionadas. “Sentires-te assim não te torna menos forte. Nem menos capaz. Nem menos merecedor de cuidado.“ Então deixa-me dizer-te uma coisa, com toda a clareza: sentires-te assim não te torna menos forte. Nem menos capaz. Nem menos merecedor de cuidado. Apenas humano. E talvez cansado de tentar ser sempre “funcional”, mesmo quando tudo em ti pede pausa, escuta, colo. Passar por um processo terapêutico não apaga a dor de um dia para o outro. Mas pode ser o lugar onde começas a compreendê-la, a processá-la. Um espaço onde deixas de te julgar tanto e passas a perceber o que é teu… e o que carregas que nunca foi! Onde podes ser simplesmente quem és — com falhas, dúvidas, silêncios e medos. Sem pressão. Sem máscara. Há sempre caminho, mesmo quando parece que não. Ninguém está “irremediavelmente perdido ou danificado”. E pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É, na verdade, um dos gestos mais corajosos que podes fazer por ti. Começa devagar. Uma conversa. Um espaço seguro.  Tu mereces sentir-te bem… Mesmo que hoje ainda não vejas isso possível.

Autoconfiança – Sobre confiar em ti (mesmo quando isso parece impossível)

Autoconfiança – Sobre confiar em ti (mesmo quando isso parece impossível) Muito se fala sobre ser confiante e é inegável que confiarmos em nós próprios, na nossa capacidade de avaliação situacional e tomada de decisão. Mas a verdade é que autoconfiança não surge de um dia para o outro. Não é um “ou tens ou não tens”. É mais semelhante a um músculo que se vai trabalhando e treinando aos poucos — com prática, paciência e, acima de tudo, autocompaixão. Mas eu sei… às vezes, parece quase impossível confiar quando a vida já te mostrou demasiadas vezes que talvez não devias, não era seguro. Quando confiaste e, na sequência disso, foste alvo de críticas que doeram, acabaste por estabelecer comparações e sentiste que não estavas à altura, ou quando te lembraram os teus erros mais do que celebraram as tuas vitórias. Como confiar em mim se a consequência de falhar é tão pesada? E é aí que entra o trabalho mais profundo — o de começares por te conhecer melhor. Não da forma superficial de responder a um teste de personalidade rápido, mas de te observares mesmo com objetivo máximo de perceber padrões e alterar o que efetivamente não te protege. Então pondera: O que te move? O que te trava? Como é que reages quando te sentes inseguro? E como seria se, em vez de te julgares, te ouvisses com curiosidade? Não precisas de transformar a tua vida inteira num mês e, honestamente, não é bom que tenhas essa expectativa porque de facto é irrealista. Começa por escolher uma ação pequena, realista, que possas fazer por ti esta semana. Algo que te desafie mas que não te assuste — ler uma página por dia, levantar-te 10 minutos mais cedo, dizer “não” quando queres e precisas de o fazer. Coisas assim, mundanas, aparentemente banais. Pequenas ações que se vão somando até te começares a sentir mais inteiro. E sim, claro vais falhar pelo caminho.Todos falhamos. O problema é que crescemos muitas vezes a acreditar que falhar é sinónimo de não sermos bons o suficiente. E então, sem percebermos, começamos a fugir da falha como se isso nos definisse. Mas a verdade é que é ali — no erro, na tentativa, na dificuldade — que também se aprende. Quando algo não corre bem, experimenta perguntar-te: “O que é que estava ao meu alcance fazer de forma diferente?” E depois, sê gentil contigo. “Fizeste o melhor que soubeste e que te foi possível, com aquilo que tinhas naquele momento.” Investires em ti é outro passo importante. Não falo apenas em fazer formações ou começar um novo hobby — falo de te permitires crescer, sobretudo naquilo que te acrescenta.. De leres algo que te inspira. De aprenderes algo novo só porque te faz bem. De te vestires de forma a sentires que estás no teu corpo com mais presença. Porque sim, até a maneira forma como caminhas, a tua postura corporal ou a forma como olhas alguém nos olhos pode influenciar a forma como te vês e aquilo que acreditas a teu respeito. E não esqueças: as pessoas com quem te rodeias também contam. Cultiva relações que te façam sentir visto, ouvido, valorizado, acolhido. Nem sempre temos tempo para encontros longos, mas até um telefonema, uma videochamada, um café rápido, podem fazer a diferença.  Por fim, aprende a escutar a crítica sem te perderes e esgotares nela. Há críticas que ajudam efetivamente e há outras que só magoam — cabe-te a ti aprender a distinguir. Mas em ambas, há sempre algo que podes retirar, se quiseres. E mesmo que haja algo a melhorar, isso não apaga o esforço que fizeste até ali, o processo, a aprendizagem. A autoconfiança também é construida! A autoconfiança constrói-se, sim. Às vezes, tijolo a tijolo. E por vezes, desaba e tem de ser erguida de novo. Mas está sempre dentro de ti — mesmo quando duvidas, mesmo quando tudo parece frágil. Confia: és capaz de te reencontrar. E um contexto terapêutico poderá ser um espaço seguro para começares ou aprofundares esse caminho. O que representa ser confiante, para ti? Será mais confiante quem acredita que “tudo vai correr bem” ou quem sabe que, mesmo que algo se acabe por se desformatar ou fuja do controlo, tem o que precisa para se reorganizar?  Diria que a genuina confiança não surge da tentativa de acreditar que “não vai chover”, mas sim da convicção profunda de que, caso chegue a chuva, eu tenho acesso ao meu “guarda-chuva”, as minhas estratégias, os meus recursos. Sentes que conheces os teus?