Vamos fazer uma viagem ao interior de um cérebro que viveu uma experiência traumática?
Durante uma experiência traumática, a principal prioridade do nosso cérebro é proteger-nos, manter-nos seguros, garantindo a sobrevivência.
Ocorre uma descarga de cortisol e adrenalina, comumente associadas ao stress, mas que cumprem uma função importantíssima.
Deixar-te capaz de emitir uma resposta que te proteja, seja ela lutar, fugir ou congelar.
A amígdala, que detecta perigo, é ativada, ficando por isso mais sensível e reativa. Entramos no chamado “Modo de Sobrevivência”! Mesmo depois do evento ameaçador estar contido, ela pode manter-se ativada, fazendo com que situações sem esse potencial pareçam, na verdade, perigosas.
O Hipocampo, região que organiza as memórias no tempo e no espaço, tende a ficar igualmente comprometido. Durante eventos de stress extremo, pode reduzir a sua actividade, deixando a memória traumática fragmentada, intensa e com sensação de ainda estar a acontecer, prolongando a perceção de perigo.
A área responsável pelo raciocínio, tomada de decisões e controlo emocional, o chamado córtex pré-frontal, pode ficar inibido ou perder momentaneamente a regulação, dificultando a atenção, concentração, o planeamento, flexibilidade e memória.
É uma grande viagem, não?
Eventualmente, quando sentes que já não existe uma ameaça, o teu cérebro acaba por regressar ao seu estado de equilíbrio. “Está tudo bem, agora!”.
Mas… será que ficou tudo como antes?
Nem sempre. Consegues imaginar o impacto provocado por situações com uma carga emocional tão pesada, tão incomportável, podendo ainda ser potenciada pela sua repetição ao longo do tempo?
O trauma complexo
A verdade é que a exposição contínua a situações com elevado impacto emocional pode originar situações de trauma complexo.
Os eventos traumáticos afetam-nos a nível neurológico, moldando a nossa capacidade de reação, decisão, padrões de comportamento… e com isso, a nossa vida no geral!
Vida familiar, profissional, situações quotidianas, as tuas relações.
O impacto pode ser muito profundo e as consequências significativas.Isto porque todo este impacto pode ficar registado e armazenado no teu corpo. Falo-te de sensações físicas, imagens recorrentes, impulsos automáticos
Os eventos traumáticos afetam-nos a nível neurológico, moldando a nossa capacidade de reação, decisão, padrões de comportamento… e com isso, a nossa vida no geral!
Trabalhar o impacto que estas vivências memórias anteriores desencadearam no teu cérebro permite-te reduzir o peso das mesmas. E é precisamente isto que fazemos na Ressignificar recorrendo à Terapia EMDR como principal ferramenta. Encara-a como uma forma de tirar partido da imensa capacidade de neuroplasticidade de que o nosso cérebro é dotado.
Se é verdadeiro, factual e científico que toda esta viagem “de ida” acontece… vamos procurar construir o teu caminho de volta. Não te permitas ficar preso, bloqueado, condicionado ao que te magoou. Isso seria o equivalente a permitires que continue a provocar-te dano incessantemente.
Este artigo baseia-se numa partilha que fiz originalmente na página de Instagram da Ressignificar.
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